Dor nas costas é causada por fraqueza muscular?

Muitas pessoas costumam associar a fraqueza dos músculos das costas com as suas dores. Aliás, associam também o padrão postural mais encurvado com fraqueza também. Mas isso é assunto para outro momento. Por agora, vale à pena destacar que dor tem relação com diversos fatores, menos fraqueza muscular, de forma direta.

Mas então o fortalecimento muscular não é necessário?

Claro que é! As evidências científicas nos mostram que é fundamental treinarmos para mantermos a saúde em dia, evitarmos doenças cardiovasculares, estabilizarmos melhor as articulações, envelhecermos com melhor qualidade de vida, dentre vários outros benefícios. É importante entender que a falta de estímulo muscular pode, em longo prazo, gerar fragilidade de outros tecidos e, a partir daí, ficar suscetível a lesões. Porém, não é porque há algum grau de fraqueza muscular que isso é motivo neurofisiológico de causar dor diretamente.

O que pode causar dor nas costas, então?

Algumas doenças articulares, como artrose, artrite, espondilite anquilosante, hérnias de disco, protusões discais, dentre outras. Cada uma com as suas particularidades para gerarem esse sintoma. É importante compreender, porém, que nem todos que apresentam o diagnóstico dessas doenças se queixam de dor. Ainda, alterações viscerais podem gerar dor na coluna, pois há uma rica inervação dessas vísceras (como os rins, o intestino, o útero, o estômago, o fígado…) que é ligada na medula espinhal (estrutura nervosa que passa por dentro da coluna vertebral). É comum encontrarmos pessoas com dor lombar durante o ciclo menstrual, por exemplo. Ou mesmo com problemas de estômago e se queixando de dor nas costas (na região dorsal). Ou classicamente aquela dor intensa quando há cálculos renais. Outra possibilidade é a de quem fica com lombalgia depois de treinar intensamente exercícios de membros inferiores (pernas e coxas). Nesse caso, estamos falando de um aumento da tensão miofascial da região toracolombar.

Dor: uma condição multifatorial.

Em 2020, um editorial sobre a atualização do conceito de dor foi publicado por DeSantana e colaboradores, baseado em informações da Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP). Entenda a definição descrita nesse artigo: “uma experiência sensitiva e emocional desagradável associada, ou semelhante àquela associada, a uma lesão real ou potencial.” Alguns pontos são descritos também como complemento ao conceito de dor. Destaco alguns deles:

  • “A dor é sempre uma experiência pessoal que é influenciada, em graus variáveis, por fatores biológicos, psicológicos e sociais.”
  • “Através das suas experiências de vida, as pessoas aprendem o conceito de dor.” Por exemplo, quem nunca cortou a pele com uma faca de cozinha, provavelmente não vai saber como é a dor vinculada a essa lesão.
  • “A descrição verbal é apenas um dos vários comportamentos para expressar a dor; a incapacidade de comunicação não invalida a possibilidade de um ser humano ou animal sentir dor.” Ou seja, podemos mostrar que estamos com dor sem precisarmos falar: através de expressões faciais, adaptações posturais, mudanças na forma de caminhar, gestos protetivos etc.

Outros pontos são mencionados pelos autores. Reforcei apenas três deles.

Fonte: DeSantana JM, Perissinotti DM, Oliveira Junior JO, Correia LM, Oliveira CM e Fonseca PR. Definição de dor revisada após quatro décadas. BrJP. São Paulo, 2020 jul-set;3(3): 197-8.

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